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Samambaia Futebol Clube

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Fundação 29 Janeiro 1993
Endereço QS 4044 Conjunto C Bloco 6 Sala 101
CEP 73320-000 Samambaia/DF Tel.
(61) 9733895
Estádio  Joaquim Roriz(Rorizão) - 5000 -
Uniforme Camisa verde, calção marrom e meias verdes
Samambaia

2001  - Uma das cidades mais pobres do Distrito Federal, Samambaia é conhecida como a menina dos olhos do governador Joaquim Domingos Roriz (PMDB). Além de ter criado a cidade, em 1989, em sua primeira gestão, o político gosta de se vangloriar internacionalmente do projeto, como se fosse um modelo de urbanização. Chegou a desfilar até na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em controvertida participação extra-oficial. 
No futebol, porém, a situação de Samambaia é indiscutivelmente deplorável sob a terceira passagem de Roriz no Palácio do Buriti. O time da cidade, rebaixado em 1996, é miserável dentro e fora de campo. Neste ano, amargou a lanterninha da segundona e só ganhou dívidas. 
Nem casa para jogar o time tem. Com o estádio público da cidade vetado desde o ano passado, por absoluta falta de condições (gramado esburacado e vestiários destruídos), a equipe tem mandado partidas na vizinha Ceilândia, no Abadião, outro pasto recentemente banido do futebol profissional pela Federação Metropolitana de Futebol (FMF). 
O péssimo quadro do estádio de Samambaia, no entanto, não significa falta de ligações afetivas com o atual governador. Pelo contrário. Mais que a própria cidade, o político não apenas construiu, como dá nome à obra, executada durante seu segundo mandato. Batizado sem cerimônias de Rorizão, o estádio foi inaugurado em agosto de 1994, um ano depois do previsto. Foi o único construído por Roriz em três passagens pelo Buriti, em um total de oito anos. 
Nada disso, porém, evitou que se tornasse inútil desde outubro de 1999, quando sediou uma partida oficial pela última vez. Essa crônica falta de jogos até foi capaz de começar a apagá-lo da memória coletiva. O deputado federal Wigberto Tartuce (PPB-DF), por exemplo, ignorou a existência da homenagem ao propor o nome de Rorizão para o projeto de megarreforma do Bezerrão, no Gama, lançado há duas semanas, em Águas Claras, residência oficial do governador. 

Padrinho 
Roriz, pelo menos, ainda se lembra do filho ilustre. No entanto, não se responsabiliza pela penúria. De volta ao Buriti em 1999, o governador pede o apoio da sociedade para reerguer o estádio público. ‘‘Isso aí precisa de alguém da cidade iniciar. Aí, a gente vai atrás’’, argumenta. 
O administrador de Samambaia, Édson Xavier, obviamente, perdoa o chefe pela situação. ‘‘O negócio não foi nem o padrinho ter esquecido do estádio. Qualquer bem público, independentemente do nome, tem que ser zelado. Senão, a tendência é a deterioração. O governo precisa receber esses pedidos para serem executados’’, defende o ocupante do cargo de confiança. 
Com cinco meses como administrador, Édson confia na reconstrução do Rorizão. O motivo é o projeto de reforma conseguido por seu irmão, o deputado distrital Carlos Xavier (PSD). Os R$ 150 mil previstos foram aprovados pela Câmara Legislativa para o orçamento do ano que vem. 
A reforma, porém, ainda depende da execução. No Brasil, o orçamento, no jargão dos especialistas, serve como autorização para gastos, mas não dá certeza da liberação dos recursos. ‘‘A licitação deve sair até março. O projeto de reforma está pronto. Talvez não dê para tudo, mas o principal deve ser feito’’, prega o chefe de gabinete, Sérgio Ferreira, em referência ao gramado, drenagem, arquibancada e banco de reservas. 
Caso tudo dê certo, Samambaia viverá a situação surreal de ter um estádio em boas condições, mas não ter nenhum time profissional em atividade. Depois de perder dois jogos por causa de calote na taxa de arbitragem, o Samambaia corre o sério risco de ser suspenso. Se escapar, só voltará a ter compromissos oficiais no segundo semestre, quando a segunda divisão doméstica é disputada.  

A campanha do Samambaia Futebol Clube na segundona candanga é de matar de inveja o Íbis, a folclórica equipe pernambucana que se proclama o pior time do mundo. Sem-teto desde 2000, quando o Rorizão foi vetado para jogos oficiais, o saco de pancadas local ‘‘conquistou’’ neste ano, ‘‘invicto’’ e com sobras, o título de pior clube do Distrito Federal. 
Com teto salarial na faixa de um salário mínimo (R$ 180,00), mas sem pagar nenhum centavo para os jogadores nos cinco meses de atividades, o lanterninha não ganhou nenhuma vez nas 14 rodadas da primeira fase. Conseguiu apenas um heróico empate, sem gols, contra o Flamengo-DF, um ‘‘aproveitamento’’ de 2,3%, depois de seis derrotas seguidas. 
Dentro de campo, foram 11 derrotas, com direito à maior goleada da competição (7 x 0 do Metropolitana). Teve a pior defesa, com 31 gols nas costas, e o pior ataque, com apenas dois. O atacante Rondinelli foi o único artilheiro, com dois gols no mesmo jogo. Nem assim o Samambaia evitou nova derrota, por 3 x 2 para o Valparaíso-GO. 
‘‘Não tenho culpa. Todo mundo está me criticando, mas muita gente também ficou de me ajudar e não ajudou. Peguei o barco furado. Até hoje estou devendo o uniforme’’, defende-se o presidente João Jerônimo, com dívidas estimadas em R$ 60 mil somente em relação aos jogadores. O cartola se queixa do abandono de empresários da cidade, da administração regional e da Federação Metropolitana de Futebol (FMF). 
João Jerônimo ainda recusou a proposta do Gama de fazer uma parceria para usar o Samambaia como clube de aluguel para os juniores do alviverde. O Brasília, que topou o negócio, acabou como campeão da segundona e com um lugar garantido na primeira divisão doméstica em 2002. ‘‘Hoje me arrependo por causa da promessa de certas pessoas’’, afirma o cartola, que exigia controlar a comissão técnica. 
CALOTE 
O vexame do Samambaia só não foi maior porque a miséria fez a equipe deixar de jogar duas partidas. Com a economia no vermelho, o calote de R$ 2.100,00 na taxa de arbitragem levou ao cancelamento do jogo contra o Santa Maria e levou o clube a sequer aparecer na partida de despedida, contra o Flamengo-DF. ‘‘A arbitragem também prejudicou o Samambaia feio. Nós não tínhamos dinheiro para pagar a taxa’’, reclama o presidente. 
De qualquer forma, o time corre o risco de ser suspenso por dois anos se não apresentar uma justificativa aceitável para os dois WOs (não-comparecimento). ‘‘Vai ficar difícil para o Samambaia No ano que vem’’, ameaça o presidente da FMF, Weber Magalhães. 
Na pindaíba, o presidente do tricolor chegou a acumular as funções de técnico, depois que o treinador Cardoso resolveu jogar a toalha em meio à debandada dos jogadores mais experientes. Até o artilheiro Rondinelli foi embora, cansado de trabalhar de graça. ‘‘O time até parou de levar goleada com a entrada dos meninos’’, orgulha-se o cartola. No returno, o clube perdeu apenas uma DE goleada, mas também deixou de jogar duas vezes.

(Correio Braziliense 2001)

 

Nacionais

Nenhuma

 

estaduais

Temporadas na 1ª divisão: quatro (de 1993 a 1996) 
Temporadas na 2ª divisão: sete (de 1998 a 2004) 

Melhor colocação: quarto lugar na primeira divisão em 1994 

 

noticias

Jornal Metropolitano Semanal
Correio Braziliense S.A

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