O Vale do Sinos está pintado de
amarelo, vermelho e preto. O 7 de Setembro/CBC Couros, de Dois Irmãos, é bicampeão
estadual de amadores. O tricolor dois-irmonense foi heróico, foi brilhante, foi alma, foi
coração. Por isso, o torcedor setembrino tem motivo de sobra para vibrar, pois viu que
os jogadores que vestem a camisa do tricolor são mais do que atletas, são guerreiros que
defendem o escudo do 7 com orgulho e pura paixão.
O empate nos 90min em 1 a 1 reservou a explosão de emoção
setembrina para os pênaltis. Foi neste momento que Cleiton escreveu seu nome na história
do clube da Baixada Setembrina. Ao defender duas penalidades, o jovem goleiro virou
herói, chegando a ser chamado de São Cleiton. O 4 a 2 nos penâltis serviu
para complementar uma grande atuação do time comandado por Ernani Petry.
O 7 exerceu uma marcação implacável durante os 90min, anulando os
perigosos Márcio, Renatinho e Buda. O time de Dois Irmãos surpreendeu a todos, pois
jogou muito mais do que domingo passado, no primeiro confronto. A vontade de vencer do
experiente campeão do mundo, Leandro Wendling, a atuação irretocável de Vinícius e a
frieza do centroavante Marcelo foram componentes cruciais para a conquista do título.
Mesmo quando Jéferson marcou um golaço para o alvi-azul ivotiense, aos 20min da segunda
etapa, o 7 de Setembro não se intimidou. Ao contrário, buscou o gol de empate de forma
comovente. E ele veio aos 38min, quando Marcelo, com categoria digna de aplausos, bateu
pênalti, sofrido por Rauli.
Foi uma decisão recheada de emoções, testando a todo momento o
árbitro Leonardo Gaciba, que anulou dois gols. O de Rauli, anulado pelo auxiliar Flávio
Teixeira, causou indignação entre jogadores, dirigentes e torcedores do 7. Pelo lado do
Ivoti, a reclamação não foi a mesma quando Gaciba invalidou, corretamente, o gol de
Kao. Um clássico do nível de Ivoti e 7 de Setembro necessitava de um juiz de primeira
linha. Leonardo Gaciba não foi perfeito, mas dá pra imaginar se o comandante do jogo
não tivesse a personalidade que ele apresentou. Com certeza, a grande decisão ficaria
marcada por vários motivos, alheios ao bom futebol.
Mesmo fazendo um extraordinária campanha (uma derrota em todo
campeonato), o Ivoti deixou escapar o título, mesmo jogando dentro de casa. Diriam os
teóricos que são coisas do futebol, este esporte que mais uma vez agitou
duas comunidades. Enquanto uma extravasa alegria, a outra procura explicações pelo
título que foi embora.(Jornal NH 26/11/2001)