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Esporte Clube Uruguaiana

Fundação 19 de Maio de 1912
Cidade Uruguaiana/RS
Estádio Felisberto Fagundes Filho(Baixada)
Uniforme Preto e Amarelo
Apelido "Jaldinegro da Baixada"

Títulos Campeão Citadino de Futebol Profissional 2000

Uruguaiana

H - O E. C. Uruguaiana, fundado em 19 de maio de 1912, equipe profissional mais de nossa de nossa cidade, completa neste sábado os 89 anos de existência. Suas cores, amarelo e preto, destacaram Uruguaiana no cenário esportivo.

Entre outros, são fundadores do E. C. Uruguaiana: Aurelio Bonino, João Pedro Grassi, Pedro Irala, Ricardo Birriel, Pascoal Pellegrini, João Lagagio, Luiz Piva, Leovegildo Ibarra, Santiago Mugica, Aureo Prato, Aristides Farias e Santiago Mascia. Os estatutos sociais do E. C. Uruguaiana foram registrados em 3 de março de 1948, sob o nº 47, à fls. 91 e 92, do Livro “A”, nº 0l de Registro de Pessoas Jurídicas, na gestão do então presidente Nestor Grande. No ano de 1988, foi a última vez que o E. C. Uruguaiana jogou profissionalmente e disputou a divisão de acesso ao Campeonato Gaúcho.

No ano passado, sob o comando do técnico André Alves, foi campeão invicto do Campeonato Citadino, que não era realizado há mais de 30 anos e teve a organização e coordenação do Grupo Uruguaianense de Defesa ao Esporte (GUDE) e Programa Vozes do Esporte, da Rádio São Miguel. Este ano participou da 2ª Copa Fronteira e não conseguiu classificação para a fase semifinal. O presidente atual do E. C. Uruguaiana é o advogado Ney Rodrigues de Freitas."

(texto do jornal Hoje no dia do aniversário do clube em 2001)

 

Em entrevistas com dirigentes esportivos e outros segmentos sociais de Uruguaiana, obtêm-se a informação unânime de que o atual Esporte Clube Uruguaiana é o mais antigo da cidade, fundado em 1912. A opinião geral é de que antes desta data já se praticava o futebol porém informalmente, sem agremiações organizadas em atas etc. Tal informação entretanto não resistiu a poucas horas de consulta em jornais locais do início do século. Por ocasião da fundação do E.C. Uruguaiana, por exemplo, o jornal A Nação faz o seguinte registro:

...acaba de ser fundado um novo gremio de “football” (...)os “footballers” que o compõem são jogadores já experimentados pelo que há de se esperar que ao entrar em liça conquistem entre os outros clubs desse gênero o lugar que lhes compete. Foi eleito presidente honorário o sr. A.F. Lockwod Chompson.7

    Dois aspectos devem ser realçados neste registro. Primeiramente, o fato de preexistirem “clubs” quando da fundação do E.C. Uruguaiana (aliás, em outras edições da mesma época, o referido jornal noticia confrontos de outros clubes da cidade, alguns com “concorrência extraordinária” e presença de bandas de música, o que denota estágio de adoção relativamente avançado). Em segundo lugar, a presença de um cidadão de nome britânico à frente do clube, o que nos desperta o interesse não por estranhar algo tão corriqueiro nos primórdios do futebol brasileiro, mas por se tratar de fato desconhecido por todos os entrevistados.8 Sugerimos que tal ignorância seja fruto, uma vez mais, das deturpações construídas historicamente, através da tradição oral, da força do discurso regionalista ou mesmo de registros tendenciosos, muito comum na literatura futebolística.9

    Há portanto claros indícios de que o futebol tenha se introduzido na vida urbana uruguaianense bem antes do que se imagina. A presença de ingleses e as elogiosas notas na imprensa de época sinalizam que a prática esportiva transcorria plenamente no interior de círculos sociais privilegiados. Podemos ainda visualizar um movimento de popularização do futebol em Uruguaiana na década seguinte à sua introdução na cidade, e o exemplo do Esporte Clube Ferro Carril, fundado em 1916, nos parece sugestivo. Nas palavras de seu atual presidente, o clube fora desde o início uma iniciativa de operários ferroviários.10 Por outro lado, descobrimos que na vizinha cidade uruguaia de Salto, servida pelo mesmo ramal ferroviário de Uruguaiana, um clube homônimo foi criado por trabalhadores da ferrovia um pouco antes, em 1912.11 Conhecendo esta forte tradição uruguaia inaugurada pelo popularíssimo Peñarol no início do século, adicionada às conexões platinas de Uruguaiana e o nome escolhido para o clube (em castelhano), sugerimos que o ato de fundação do Ferro Carril uruguaianense se remete à tradição uruguaia em questão, sendo possivelmente mais um desdobramento da influência platina no futebol gaúcho.

    Santana do Livramento é outro caso que merece alusão. Sua origem e evolução não pode ser dissociada de Rivera, cidade uruguaia com a qual forma um autêntico “par de cidades” fronteiriço (SCHÄFFER, 1993:14). No final do século XIX, os investimentos uruguaios se ampliavam rapidamente (telefonia, eletrificação etc.), e com as ferrovias Livramento tornara-se efetivamente ponto de penetração no território nacional da pujança econômica de Montevideo. Vera Albornoz (1997:105) afirma que o período de 1892 (chegada da ferrovia) a 1916 foi marcado pela “supremacia uruguaia”, sendo Livramento uma cidade dependente do centro metropolitano de Montevideo.12 O fato de Livramento vivenciar naquele período um pequeno surto industrial, com crescimento demográfico e atração de migrantes, configurava um cenário particularmente receptivo ao futebol. E este chegaria rapidamente, pois a metrópole com a qual Livramento mantinha íntimas conexões já era um grande centro futebolístico na virada do século. E assim verificaremos um dos casos mais precoces de adoção do futebol no Brasil urbano.

    Em 1902, muito raras eram as cidades brasileiras que praticavam o futebol com alguma regularidade. Podemos afirmar sem grandes riscos que esta prática estava circunscrita quase exclusivamente a São Paulo e algumas cidades portuárias, como Rio de Janeiro, Belém, Rio Grande e Salvador, e ainda assim somente a primeira delas dispunha de uma liga, que naquele ano realizava seu primeiro campeonato de clubes (MASCARENHAS, 1998). Uma aglomeração urbana do porte de Livramento, naquele momento, teria pouquíssimas chances de dispor da informação “futebol” e ainda menores probabilidades de incorporá-lo como prática social. Considerando-se sua localização, distante dos grandes centros urbanos nacionais, das zonas portuárias mais dinâmicas ou de outras atividades potencialmente aglutinadoras de agentes britânicos (minas, grandes fábricas etc.), Livramento certamente estaria alijada do mapa do futebol no Brasil no início do século. Não fosse, é claro, a forte conexão com Montevideo.

    Naquele ano distante de 1902 a cidade fronteiriça sem grande expressão econômico-demográfica já sediava um clube de futebol. Trata-se do 14 de Julho. Não é difícil imaginar as motivações para tal iniciativa, poi em toda a área de influência de Montevideo o futebol provavelmente já era bem conhecido em 1900, pelas razões aqui já apresentadas. Ademais, a cidade de Rivera possuía seus clubes de futebol. As vinculações estreitas de Livramento com esta cidade provocavam ao menos duas motivações diretas: copiar o modismo em voga e o desejo de desafiar os vizinhos uruguaios, por razões óbvias de alteridade. O estudioso Carlos Lopes dos Santos (1975:87) nos confirma este último caminho. O 14 de Julho, vale lembrar, não é a primeira instituição a desenvolver a prática do futebol em Livramento. Segundo Carlos Santos (1975:88), antes deste clube houve um outro, fundado por um uruguaio conhecido por Pepe Lay (provavelmente no final do século passado). Mas esta agremiação durou pouco tempo, devido à hostilidade local, que alcançou inclusive as autoridades municipais. Em síntese, não resta dúvida da influência uruguaia na adoção do futebol em Livramento.

    Para finalizar este segmento, vale citar que importantes centros como Pelotas e Rio Grande, que lideraram o futebol gaúcho em seus primeiros momentos, também contaram com influência platina. Na segunda década do século XX, seus clubes já “importavam” jogadores uruguaios, garantindo melhor performance nas competições estaduais (ALVES, 1984).


Conclusão

    O território gaúcho, dada sua formação histórica, apresenta larga extensão de fronteiras internacionais, que correspondem a mais da metade de seus limites e representam mais de 10% do total das fronteiras do Brasil. Se o estado do Amazonas é o único a superar o RS em extensão de fronteiras internacionais, estas são um tanto despovoadas, caracterizando um quadro de isolamento. Ademais, um outro aspecto salienta a condição de excepcionalidade que pretendemos frisar. A linha fronteiriça do RS com a Argentina é inteiramente natural (formada pelo rio Uruguai), mas a que nos separa do Estado uruguaio, ao contrário, é artificial em quase toda a sua extensão, favorecendo o intercâmbio econômico e sócio-cultural (Haesbaert, 1988:11-13). Esta linha de fronteira cumprirá papel relevante na difusão do futebol pela Campanha Gaúcha.

    A existência desta fronteira “viva” pouco valeria em nosso estudo não fossem os vizinhos em pauta as duas nações que sem dúvida mais precocemente desenvolveram este esporte na América do Sul. A capital argentina, por seu porte e riqueza, desenvolveu rapidamente o futebol, ao que os uruguaios, por intensa rivalidade, procuraram reagir prontamente. É através da “fronteira viva” com o Uruguai, que centros urbanos de pequeno porte tiveram acesso a “informações” até então praticamente restritas aos grandes centros e às zonas portuárias mais dinâmicas.

    Trata-se sem dúvida de uma adoção precoce do futebol no contexto brasileiro. Procuramos aqui não apenas demonstrar tal precocidade como sobretudo entendê-la a partir das fortes conexões do RS com as metrópoles do Prata, numa tentativa de abordagem geográfica do processo de difusão do futebol.

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Nacionais

Nenhuma

 

estaduais

1920, 1921, 1934, 1938, 1950, 1953 e 1955

 

noticias

Fronteira e Hoje

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